COMO O IMPÉRIO AMERICANO VAI CAIR?



Por Marlene Senna 

Mais do que lamentar o militarismo do império gringo, o momento é de reflexão sobre como o mesmo entrará definitivamente no rolo da história.

Hoje Mino Carta publicou um texto excelente na sua revista
O texto dele é totalmente excelente: jornalístico, teórico, literário e sobretudo irônico de fio-a-pavio (do jeitinho que eu gosto).


A grande questão do momento, entretanto, é saber como será o crepúsculo do império gringo.

A dinâmica imperial pode debilitar o Estado hospedeiro até o ponto em que tudo simplesmente desmorone pacificamente e o campo político, até então totalmente contaminado pelos interesses que giram em torno do imperialismo, seja destruído e substituído por algo novo.

Foi isto o que ocorreu com Portugal em 1974 e o que ocorreu com a URSS após a queda do Muro de Berlim.

Mas o imperialismo pode também desembocar num estado de guerra permanente até o momento em que várias outros Estados, alguns dos quais com ambições imperiais, se unam para destruir o império. Foi isto o que ocorreu no caso da Alemanha Nazista.

A destruição do Império Romano do Ocidente ocorreu de uma outra maneira. Mino Carta falou um pouco do assunto, mas ele não foi suficientemente específico e fiel à história.

Os bárbaros que atacaram e saquearam Roma já viviam dentro do império. Alarico (um godo romanizado) e sua tropa de godos bárbaros (que foram recebidos como refugiados dentro do Império Romano por causa da devastação que os hunos fizeram no território deles) prestaram serviços mercenários ao imperador Teodósio (Império Romano do Oriente).

Isto ocorreu pouco tempo depois que os godos comandados por Fritigerno derrotaram as tropas romanas em Adrianópolis (O DIA DOS BÁRBAROS, Alessandro Barbero, edição liberdade, 2010).

No caso romano, portanto, foram os bárbaros que já estavam dentro do império que o destruíram. Alguns deles, como Alarico, já eram parcialmente romanizados.

Outro dia um professor gringo lamentou profundamente no Facebook o fato dos governos estarem preparando a privatização total do sistema de ensino público nos EUA.

A educação deve ser uma função do Estado, porque só assim cada novo cidadão que nasce pode ser civilizado, ou seja, conduzido de maneira pacífica para dentro do universo cultural, legal, social e histórico que predomina na coletividade em que ele nasceu.

Caso contrário, aquele que chegou pode se transformar num “novo bárbaro” (uso este vocábulo porque não me ocorre um melhor) e causar transtornos públicos ao juntar-se com outras pessoas que igualmente não receberam uma educação e socialização definidas e ministradas pelo poder público.

Portanto, caso ocorra a tal de privatização total do sistema de ensino público nos EUA mencionada pelo gringo o império americano pode realmente sucumbir diante dos “novos bárbaros”. Mas neste caso será o próprio império que criará os “novos bárbaros” em razão de seu fundamentalismo neoliberal.

Fonte: Mino Carta - Carta Capital - 10.01.12

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